quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tempo Pendido

Eu, quando me desminto, disse, fico redimida de mim mesma.
No dia seguinte mentir-se-ia outra vez e assim por diante.
Ocorre que as mentirinhas eram contadas em sussurro.
Desde um dia em que ouvir o vento revelou-se um pedaço de martírio frio.
Estava pouco sóbrio é verdade mas assim sendo podia que o enredo sofresse alterações e isso sim interessaria aos que não dormimos.
O tesouro esse, encontrado na perda, revelava num lado só porque o outro dizem os sábios poderia descompassar o lindume esconderijo.
Foi assim que o menino fez-se despercebido dela e não  tocou.
No outono seguinte choraria sobre as folhas mortas de estupor e ninguém lhe daria amparo ninguém.
Por meu rosto que encolhe, diria ele, te cumpriria agora, desabafando.
Notaram todos que havia um lume esquisito sobre seus cabelos, menos ele entorpecido e quase lúgubre tonteando pelas esparsas matas que havia construído sem castelos nem ruínas nem água.
Do outro lado da noite, os olhos pendurados fitaram o vazio que era consumidor e ausente e fadigado e dorido.
Quando chorou de novo, ninguém ninguém ninguém para dizer nada.
E as palavras despenduraram-se do susto e pararam de ser.
Estavam cansadas e não queriam mais imaginar como poderia ser bom.
Assim se acabam as histórias que descomeçam-se sem fim nem presenças.

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