Com o copo, vazio, de conhaque nas mãos, Ela
sonhou o sonho de volúpia que (nunca) iria acontecer.
Sonhou
que flores surgiam do escuro com nomes escritos nas pétalas vermelhas. E Ele,
lambuzado de bombons dourados, vinha lhe apertar entre os braços.
Vinha
lhe despir rasgando longamente.
Vinha
lhe insuflar de orgasmos as carnes tremeluzentes.
Vinha
lhe emprestar o gozo mais demorado.
Vinha
olhar no fundo de seus olhos.
Vinha
lhe pingar na boca o quente que ansiava.
Vinha
lhe dizer que sim.
Desproteger
a noite
Vasculhar
seus segredos
Contar
seus mistérios
Mostrar
o fantástico mundo.
E
ela, entre o tudo, desfazia-se em nadas
E sussurrava
Que
mais não queria
Que
mais não podia
Que
mais não precisava
Que
era só esse o suor que esperava
O
beijo louco que ardia.
E
deixaria dormirem a seu lado os cabelos escapados do acaso
Rebuliçados
Confusos
Belos
Intensos.
E
Ele desfigurado, intrépido, desnudo
Sorriria
em gemido
Que
sim e que sim e que sim
Que
ela assim.
Depois, Ela virou as costas pra o copo e
olhando a todos disse:
-Se
o que escrevo é mentira? Não, nada é mentira. ...Boa parte é ilusão... e o
resto é quase verdade...
Nenhum comentário:
Postar um comentário