sexta-feira, 15 de junho de 2012

Portais do surreal


Com o copo, vazio, de conhaque nas mãos, Ela sonhou o sonho de volúpia que (nunca) iria acontecer.
Sonhou que flores surgiam do escuro com nomes escritos nas pétalas vermelhas. E Ele, lambuzado de bombons dourados, vinha lhe apertar entre os braços.
Vinha lhe despir rasgando longamente.
Vinha lhe insuflar de orgasmos as carnes tremeluzentes.
Vinha lhe emprestar o gozo mais demorado.
Vinha olhar no fundo de seus olhos.
Vinha lhe pingar na boca o quente que ansiava.
Vinha lhe dizer que sim.
Desproteger a noite 
Vasculhar seus segredos
Contar seus mistérios
Mostrar o fantástico mundo.
E ela, entre o tudo, desfazia-se em nadas
 E sussurrava
Que mais não queria
Que mais não podia
Que mais não precisava
Que era só esse o suor que esperava
O beijo louco que ardia.
E deixaria dormirem a seu lado os cabelos escapados do acaso
Rebuliçados
Confusos
Belos
Intensos.
E Ele desfigurado, intrépido, desnudo
Sorriria em gemido
Que sim e que sim e que sim
Que ela assim.
Depois, Ela virou as costas pra o copo e olhando a todos disse:
-Se o que escrevo é mentira? Não, nada é mentira. ...Boa parte é ilusão... e o resto é quase verdade...

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